Espaço Mediadores:

Disponibilizamos um acervo de informações úteis para  auxiliar os trabalhos dos Mediadores e Conciliadores, ou demais interessados métodos autocompositivos de solução de conflitos.

Material de Mediação/Conciliador:

O que é Mediação e Conciliação?

O que é preciso para ser um mediador e conciliador?

Como  abrir uma Câmara de Mediação

Código de Ética

Tabela de honorários nos termos da Resolução 271/2018

Modelo de acordos

Instruções básicas ao Mediador/Conciliador

Carta Convite

Cláusula de Mediação

Questionário de Satisfação

Redesignação de audiência

Modelos de Termos de acordo

Tabela de percentual de salário mínimo 2019

Lei de Mediação

Resolução n° 125/2010 CNJ - Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses

Resolução n° 271/2010 CNJ - Fixa parâmetros de remuneração

Enunciados FONAMEC

EFAM

Provimento CSM Provimento CSM nº 2.348/16.

Apoio jurídico

Constituição Federal
​Pacto Nações UnidasDireitos Humanos –

 Resolução n° 2002/12 do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, que estabelece princípios básicos de Justiça Restaurativa;

 

Pacto San José Costa Rica
Lei de Mediação
Resolução n° 125 do Conselho Nacional de Justiça
Código de Ética dos Mediadores

Lei Estadual n° 15.804 (Lei do abono variável aos Conciliadores e Mediadores de São Paulo);


Lei nº 13.105/2015 -  Código de Processo Civil PDF Câmara
Juizado Especial - Lei n° 9.099/95
Juizado Especial Federal n°
Lei de Arbitragem
Código Civil Capacidade Civil Validade Negócios Jurídicos (validade de termo de acordo)
Direito das Obrigações Contratos Disposições Gerais Espécies de Contratos Do pagame Vizinhança e Condomínio Família Sucessões http://www.soleis.com.br/L10406.htm
Código do Consumidor
Estatuto do Idoso
Estatuto do Deficiente
Lei Maria da Penha

O que é Mediação e Conciliação?

Consagrados em muitos países, a mediação e a conciliação são métodos de resolução de controvérsias que almejam a autocomposição das partes, vale dizer, a solução do conflito de modo consensual, dispensando-se a imposição de uma sentença judicial para apontar a saída para a questão.

 

Cumpre observar que não se identifica na história um marco inaugural do instituto da Mediação, mas diversos registros ao longo das mais remotas civilizações de métodos de pacificação de conflitos, conduzidos por um terceiro imparcial que buscava orientar as partes e conduzi-las para resolução do problema.

A mediação com características mais próximas da realizada na atualidade, já era praticada  em comunidades judaicas para tratar os litígios bíblicos, difundindo-se em diversas sociedades pelo mundo, como a hindu, chinesa, japonesa, islâmica, ateniense, romana e, mais recentemente, a americana.

O que é preciso para ser um mediador e conciliador?

Nos termos da Lei de Mediação de n° 13.140/2015, que regulamenta a atividade de Mediação de conflitos de interesses, para estar apto para atuar como Mediador deve-se, antes de tudo, ser maior de 18 anos e ter capacidade plena para exercer os atos da vida civil. No mais, seguir os seguintes requisito da Lei de Mediação:

Para ser Mediador Extrajudicial: ter a confiança das partes e capacitação em mediação nos termos da Resolução 125/2010 do CNJ. Podendo atuar independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou associação, ou nele inscrever-se (art. 9);

 

Para ser Mediador Judicial: possuir graduação há pelo menos 2 anos em curso de ensino superior de instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Ainda, ter feito curso de capacitação em escola ou instituição de formação de mediadores, reconhecida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados – ENFAM ou pelos tribunais. (art. 11).

Destaca-se que, para atuar como Conciliador judicial, não há a exigência de ter 2 anos de graduação, bastando estar cursando nível superior. 

Benefícios da Mediação e Conciliação

Também considerado como método adequado de resolução de conflitos, a mediação e a conciliação oferecem uma série de vantagens para as partes envolvidas, no qual elencamos:

Celeridade: comparado ao tempo médio de um processo juidicial ou arbitral, a mediação/conciliação se revela um procedimento muito mais rápido, podendo ser concluído em até uma ou poucas sessões (reuniões);

Simplicidade: na mediação as partes , juntamente com o mediador/conciliador, podem optar por procedimento mais prático e ágil. O objetivo é evitar procedimentos burocrátios que dificultem a negociação e o consenso.

Lembrando que o método não envolve perícia ou análise de provas, devendo, caso seja imprescindível para a continuidade, ser realizado em momento apartado da sessão de Mediação e Conciliação;

Economia: custo consideravelmente menores do que uma demanda judicial, com a otimização do tempo das partes e maior certeza de recebimento dos valores pleiteados (maior custo benefício);

Sigilo: desde logo é estabelecido pelo Mediador/Conciliador que toda à sessão será confidencial, respeitando a privacidade das partes, mantendo-se sob total sigilo todos os documentos que vierem a ser apresentados, assim como, as narrativas de cada parte durante o procedimento;

Método democrático: o Mediador/Conciliador será escolhido pelas as partes, de modo consensual, conforme a confiança de ambas; 

Conveniência: a Mediação/Conciliação considerará o interesse das partes, afastando formalidades e procedimentos complexos, diversamente do que ocorre num processo judicial, que impõe formalidades e rigores legais. O que permite simplificar a resolução de casos complexos, à exemplo de situações onde envolvem direito estrangeiro, com legislações não congruentes;

Preservação das Relações: o Mediador/Conciliador é um profissional técnico em resolução de conflitos, que também objetiva a preservação da relação entre as partes, com o restabelecimento ou facilitação do diálogo e entre elas. Ressalta-se que, principalmente na Mediação, um dos objetivos é despertar as partes para uma percepção prospectiva sobre o elo que as ligam, juntamente, destacar pontos que demonstrem a importância destas adotarem posturas responsáveis para manutenção da harmonia, assim como, zelarem pelo respeito entre todos os envolvidos.

Como  abrir uma Câmara de Mediação

Como habilitar uma Câmara Privada ao Tribunal de Justiça de São Paulo?

Conforme informação publicada pelo Núcleo Permanente de Resolução de Conflitos do (NUPEMEC) TJSP, as Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação, observarão o Provimento nº 2.348/16, do Conselho Superior da Magistratura para que, assim, possão ser credenciadas perante o Tribunal de Justiça.

Nesse sentido, deverá ser requerido pelo responsável (interessado) e apresentado ao Nupemec.

Juntamente, deverá ser indicado o(s) Centro(s) Judiciário(s) de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) que a Câmara tem interesse na vinculação e, na sua falta, o Centro da Região Administrativa Judiciária local. Também é preciso instruir o pedido com documentos indicados no provimento.

Abaixo destacamos o Capítulo V do Provimento CSM nº 2.348/16, que trata do assunto, veja: 

CAPÍTULO V – DAS CÂMARAS PRIVADAS DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

Artigo 32. As Câmaras Privadas de Conciliação e Mediação, criadas pelo Provimento CSM nº 2287/2015 do Conselho Superior da Magistratura, serão credenciadas perante o Tribunal de Justiça mediante requerimento do responsável endereçado ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, indicando os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania perante os quais a câmara tiver interesse na vinculação, e na sua falta, o Centro da Região Administrativa Judiciária local.

Artigo 33. Nas câmaras privadas de conciliação e mediação, atuarão conciliadores e mediadores cadastrados nos CEJUSCs, nos termos dos artigos 21 e seguintes do presente provimento.

Artigo 34. O requerimento de credenciamento deverá ser instruído com os seguintes documentos:

I – documentos constitutivos da entidade, constando o objeto da atividade – prestação de serviço de conciliação e mediação;

II – comprovante de inscrição municipal;

III – comprovante de atividade de pessoa jurídica, CNPJ – código 69.11.-7-02 – auxiliares da justiça;

IV – indicação dos sócios que a compõem, com documentos de identificação;

V – indicação dos mediadores e conciliadores;

VI - indicação da sede e local de exercício da atividade;

VII – certidão de comprovação de atuação do conciliador e mediador no CEJUSC;

VIII – indicação dos CEJUSCs de interesse para homologação de eventuais composições extrajudiciais;

IX – compromisso de atendimento gratuito de 20% de casos tendo como parâmetro o número de casos de atendimento no mês anterior;

X – certidão negativa de débitos trabalhistas.

Artigo 35. É facultado às Câmaras Privadas apresentar rol das empresas que guardam convênio ou parceria com a câmara para a realização da sessão de mediação, com a finalidade de facilitar remessa pelo juízo do feito. Será de sua inteira responsabilidade informar a retirada do nome da empresa do rol a partir da cessação do convênio firmado.

Artigo 36. O Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos avaliará a idoneidade da câmara, facultando-se a realização de entrevista com os membros da instituição, a realização de vistoria na sede ou nos locais em que a atividade compositiva será desenvolvida, bem como toda medida que entender pertinente para garantir a correta instalação e bom funcionamento da entidade.

Artigo 37. Aceito o cadastro pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, os seus dados e composição serão lançados em cadastro próprio, colocando-se a entidade à disposição das unidades judiciárias da Comarca, ou na falta de Centro, da Região Administrativa Judiciária, se for o caso.

Artigo 38. O cadastro terá validade pelo período de dois anos, sendo permitida a sua prorrogação mediante solicitação por petição ao Coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, a ser apreciada nos próprios autos de habilitação, instruída pelo relatório de produtividade da câmara privada no período.

Artigo 39. As composições extrajudiciais lavradas perante as câmaras de conciliação e mediação privadas credenciadas no Tribunal de Justiça poderão ser remetidas por via eletrônica ao juízo competente para homologação judicial e registro da decisão.

§1º As composições extrajudiciais obtidas em sessão conduzida por mediador judicial serão homologadas pelo Juiz Coordenador do CEJUSC independente do recolhimento de custas, por meio de encaminhamento do termo de acordo, no formato PDF, pelas partes.

§2º As composições em ações propostas serão remetidas ao juízo do feito para homologação do acordo, por meio de peticionamento pelos advogados do processo.

CAPÍTULO VI - DO CONTROLE DA PRODUTIVIDADE DA CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

Artigo 40. A produtividade das atividades dos conciliadores, mediadores e câmaras privadas, quando atuarem em questões processuais e pré-processuais, será supervisionada pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos, sem prejuízo das outras formas de supervisão previstas neste provimento.

Artigo 41. Cabe aos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania e às Comarcas a que estiverem vinculados os mediadores e conciliadores a elaboração de relatórios indicativos do número de sessões realizadas nas áreas extrajudicial e processual, das respectivas matérias, produtividade, taxas de sucesso e outros dados porventura relevantes, a critério do NUPEMEC.

Artigo 42. As câmaras privadas de conciliação e mediação realizarão relatório com bases anuais informando sua produtividade aos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania e às Comarcas a que estiverem vinculadas para inserção dos dados estatísticos do NUPEMEC, nos moldes do artigo 40 deste provimento.

Artigo 43. Os dados serão enviados ao NUPEMEC para elaboração de relatórios e divulgação dos resultados, em bases mínimas anuais, para fins estatísticos de avaliação da atividade.

CAPÍTULO VII - DA EXCLUSÃO DOS CONCILIADORES, MEDIADORES E CÂMARAS DE MEDIAÇÃO DO CADASTRO

ESTADUAL

Artigo 44. Os Coordenadores dos CEJUSCs de 1ª e 2ª Instâncias, constatando a prática de infrações na atividade da mediação ou conciliação, poderão propor ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos a aplicação de penas aos conciliadores, mediadores ou câmaras privadas de conciliação e mediação.

§1º Os Juízes das varas ou juizados em que forem desenvolvidas as atividades de conciliação ou mediação poderão propor ao Juiz Coordenador do Centro a exclusão de conciliadores ou mediadores cadastrados por meio de ofício.

§2º Qualquer pessoa que venha a ter conhecimento de conduta inadequada por parte do conciliador ou mediador poderá representar ao magistrado Coordenador a fim de que sejam adotadas as providências cabíveis.

Artigo 45. A violação dos deveres do conciliador e do mediador permite a aplicação de penalidades em seu desfavor.

§1º A prática de infração do Código de Ética previsto na Resolução n. 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça, ato de improbidade pelo conciliador ou mediador, prática de conduta inadequada ou condenação definitiva em processo criminal levará à exclusão do conciliador ou mediador do cadastro estadual mantido pelo NUPEMEC.

§2º O conciliador ou mediador, por meio de avaliação poderá ser dispensado: desempenho insuficiente, falta de assiduidade, impontualidade, falta de urbanidade e não observância das orientações do Coordenador do Centro ou do Coordenador da unidade.

§3º Para infrações de menor gravidade, o conciliador ou mediador poderá sofrer penas de advertência, ou, em caso de reincidência, de suspensão.

Artigo 46. O Coordenador do CEJUSC poderá afastar imediatamente o conciliador ou o mediador de sua atividade pelo prazo de cento e oitenta dias, por decisão fundamentada, sem prejuízo da instauração do procedimento disciplinar cabível.

Parágrafo único. Observar-se-á, na apuração de violação dos deveres e obrigações do conciliador e do mediador, a legislação que rege o procedimento administrativo disciplinar estadual.

Artigo 47. O conciliador ou mediador poderá se afastar voluntariamente das atividades mediante requerimento dirigido ao Coordenador do CEJUSC, comunicando-se o afastamento ao NUPEMEC.

Parágrafo único. Em caso de afastamento voluntário, o conciliador ou mediador poderá requerer ao Coordenador do CEJUSC a sua reintegração ao quadro de conciliadores e mediadores, para a sua reinserção no cadastro estadual.

Artigo 48. O cometimento de infração ética ou ato de improbidade por parte de membro de câmara privada de conciliação ou mediação poderá levar à suspensão imediata das atividades da câmara a que o membro pertencer, pelo prazo de cento e oitenta dias, pelo Coordenador a que a câmara esteja vinculada, sem prejuízo da instauração de procedimento administrativo para apuração da conduta e aplicação de sanção definitiva ao conciliador ou mediador infrator.

Parágrafo único. A aplicação de sanção definitiva ao membro da câmara levará à desqualificação da câmara privada perante o CEJUSC, a ser anotada no NUPEMEC para retirada da entidade do cadastro estadual.

(...)

SEBRAE

Código de Ética dos Mediadores e Conciliadores

O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu junto à Resolução n°125/2010, em seu anexo III, regras de condutas éticas, a serem observadas pelos Mediadores  e Conciliadores. Abaixo, confira na íntegra o anexo III que trouxe o Código de Ética dos profissionais de Mediação:

 

CÓDIGO DE ÉTICA DE CONCILIADORES E MEDIADORES JUDICIAIS

INTRODUÇÃO

O Conselho Nacional de Justiça, a fim de assegurar o desenvolvimento da Política Pública de tratamento adequado dos conflitos e a qualidade dos serviços de conciliação e mediação enquanto instrumentos efetivos de pacificação social e de prevenção de litígios, institui o Código de  Ética,  norteado por princípios que formam a consciência dos terceiros facilitadores, como profissionais, e representam imperativos de sua conduta.

 

Dos princípios e garantias da conciliação e mediação judiciais

 

Art. 1º - São princípios fundamentais que regem a atuação de conciliadores e mediadores judiciais: confidencialidade, decisão informada, competência, imparcialidade, independência e autonomia, respeito à ordem pública e às leis vigentes, empoderamento e validação.

 

I - Confidencialidade - dever de manter sigilo sobre todas as informações obtidas na sessão, salvo autorização expressa das partes, violação à ordem pública ou às leis vigentes, não podendo ser testemunha do caso, nem atuar como advogado dos envolvidos, em qualquer hipótese;

 

II - Decisão informada - dever de manter o jurisdicionado plenamente informado quanto aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido;

 

III - Competência - dever de possuir qualificação que o habilite à atuação judicial, com capacitação na forma desta Resolução, observada a reciclagem periódica obrigatória para formação continuada;

 

IV - Imparcialidade - dever de agir com ausência de favoritismo, preferência ou preconceito, assegurando que valores e conceitos pessoais não interfiram no resultado do trabalho, compreendendo a realidade dos envolvidos no conflito e jamais aceitando qualquer espécie de favor ou presente;

 

V - Independência e autonomia - dever de atuar com liberdade, sem sofrer qualquer pressão interna ou externa, sendo permitido recusar, suspender ou interromper a sessão se ausentes as condições necessárias para seu bom desenvolvimento, tampouco havendo dever de redigir acordo ilegal ou inexequível;

 

VI - Respeito à ordem pública e às leis vigentes - dever de velar para que eventual acordo entre os envolvidos não viole a ordem pública, nem contrarie as leis vigentes;

 

VII - Empoderamento - dever de estimular os interessados a aprenderem a melhor resolverem seus conflitos futuros em função da experiência de justiça vivenciada na autocomposição;

 

VIII - Validação - dever de estimular os interessados perceberem-se reciprocamente como serem humanos merecedores de atenção e respeito.

 

Das regras que regem o procedimento de conciliação/mediação

 

Art. 2º As regras que regem o procedimento da conciliação/mediação são normas de conduta a serem observadas pelos conciliadores/mediadores para o bom desenvolvimento daquele, permitindo que haja o engajamento dos envolvidos, com vistas à sua pacificação e ao comprometimento com eventual acordo obtido, sendo elas:

 

I - Informação - dever de esclarecer os envolvidos sobre o método de trabalho a ser empregado, apresentando-o de forma completa, clara e precisa, informando sobre os princípios deontológicos referidos no Capítulo I, as regras de conduta e as etapas do processo;

 

II - Autonomia da vontade - dever de respeitar os diferentes pontos de vista dos envolvidos, assegurando-lhes que cheguem a uma decisão voluntária e não coercitiva, com liberdade para tomar as próprias decisões durante ou ao final do processo e de interrompê-lo a qualquer momento;

 

III - Ausência de obrigação de resultado - dever de não forçar um acordo e de não tomar decisões pelos envolvidos, podendo, quando muito, no caso da conciliação, criar opções, que podem ou não ser acolhidas por eles;

 

IV - Desvinculação da profissão de origem - dever de esclarecer aos envolvidos que atuam desvinculados de sua profissão de origem, informando que, caso seja necessária orientação ou aconselhamento afetos a qualquer área do conhecimento poderá ser convocado para a sessão o profissional respectivo, desde que com o consentimento de todos;

 

V - Compreensão quanto à conciliação e à mediação - Dever de assegurar que os envolvidos, ao chegarem a um acordo, compreendam perfeitamente suas disposições, que devem ser exequíveis, gerando o comprometimento com seu cumprimento.

 

Das responsabilidades e sanções do conciliador/mediador

 

Art. 3º Apenas poderão exercer suas funções perante o Poder Judiciário conciliadores e mediadores devidamente capacitados e cadastrados pelos Tribunais, aos quais competirá regulamentar o processo de inclusão e exclusão no cadastro.

 

Art. 4º O conciliador/mediador deve exercer sua função com lisura, respeitar os princípios e regras deste Código, assinar, para tanto, no início do exercício, termo de compromisso e submeter-se às orientações do Juiz Coordenador da unidade a que esteja vinculado.

 

Parágrafo único. O mediador/conciliador deve, preferencialmente no início da sessão inicial de mediação/conciliação, proporcionar ambiente adequado para que advogados atendam o disposto no art. 48, § 5º, do Novo Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil. (Incluído pela Emenda nº 2, de 08.03.16)

 

Art. 5º Aplicam-se aos conciliadores/mediadores os motivos de impedimento e suspeição dos juízes, devendo, quando constatados, serem informados aos envolvidos, com a interrupção da sessão e a substituição daqueles.

 

Art. 6º No caso de impossibilidade temporária do exercício da função, o conciliador ou mediador deverá informar com antecedência ao responsável para que seja providenciada sua substituição.

 

Art. 7º O conciliador ou mediador fica absolutamente impedido de prestar serviços profissionais, de qualquer natureza, aos envolvidos em processo de conciliação/mediação sob sua condução.

 

Art. 8º O descumprimento dos princípios e regras estabelecidos neste Código, bem como a condenação definitiva em processo criminal, resultará na exclusão do conciliador/mediador do respectivo cadastro e no impedimento para atuar nesta função em qualquer outro órgão do Poder Judiciário nacional.

 

Parágrafo único - Qualquer pessoa que venha a ter conhecimento de conduta inadequada por parte do conciliador/mediador poderá representar ao Juiz Coordenador a fim de que sejam adotadas as providências cabíveis.

Tabela de honorários nos termos da Resolução de n° 271/2018 do CNJ

Mediadores Judiciais

Trazer informações do Release


Remuneração
A remuneração de conciliadores e mediadores judiciais está prevista tanto no novo Código de Processo Civil quanto na Lei da Mediação. Segundo o art. 169 do CPC, ressalvada a hipótese de o tribunal optar pela criação de quadro próprio de conciliadores e mediadores (preenchido por concurso público), o conciliador e o mediador receberão pelo seu trabalho remuneração fixada pelo tribunal, conforme parâmetros estabelecidos pelo CNJ.
O parágrafo 1º do dispositivo ainda prevê a realização da mediação e da conciliação por meio de trabalho voluntário, desde que sejam observadas a legislação pertinente e a regulamentação do respectivo tribunal.


Já de acordo com o art. 13 da Lei da Mediação, “A remuneração devida aos mediadores judiciais será fixada pelos tribunais e custeada pelas partes, observado o disposto no § 2o do art. 4o desta Lei”, segundo o qual, será assegurada gratuidade desse serviço aos necessitados.
 

- Resol. 271

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Benefícios da Mediação





 

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onte CONIMA

 

Pontos Importantes da Mediacao e Conciliação 

 

Para o público é muito importante a prestação de um serviço de qualidade, tanto público como privado.

Muitas pessoas ao serem convocadas para a audiência de Mediação ou Conciliação não fazem ideia do que se tratam, sendo obrigação do conciliador/mediador realizar a apresentação de abertura para que as partes entendam.
Em resumo, a Mediação/Conciliação é uma negociação, uma oportunidade para que as pessoas possam demonstrar seus reais interesses e chegar em um acordo de forma justa e que as partes saiam ganhando conjuntamente. Não há terceiro interferindo na negociação, são as partes que propõe, não existe juiz decidindo (este, no geral está muito distante do problema real e da análise direto do que ocorre no emocional, na rotina do casal).
Você deve estar se perguntando: “Mas como chegaremos no acordo, bem agora que o problema acabou de acontecer. Ainda estou muito ligado no conflito, não tenho emocional para isso e não é um costume cultural no Brasil.”. A resposta para que a sua negociação realmente ocorra dependerá de você e principalmente de um bom conciliador, que prestará uma negociação de qualidade. Para isso você deve observar se ele apresenta e realiza as técnicas importantes de negociação durante a mediação.
 
Se faz imprescindível na Mediação e na Conciliação:
• Que o Mediador/Conciliador tenha realizado um curso de especialização para atuar.
• Que as partes tenham advogados, para que possam tirar eventuais dúvidas jurídicas
• Que a abertura seja feita, explicando a diferença da decisão pela justiça ou a decisão que parte das partes através da negociação
• Que as técnicas de mediação/conciliação sejam aplicadas.
As técnicas que são utilizadas no geral são:
– Escuta ativa: o mediador/conciliador ele apenas facilita a negociação, não toma partido de nenhum lado, ele escuta as partes de forma verbal e não verbal, faz com que as partes respeitem uma a outra e escutem de o que esta sendo dito. Assim poderão apresentar o que realmente os preocupam ou causou a situação e suas possibilidades reais para resolverem.
– Rapport: técnica de espelhamento do conciliador/mediador, para que as partes possam criar uma sintonia e harmonia. Mesmo naqueles momentos mais difíceis de negociar, o mediador/conciliador, forma de facilitar o dialogo, podendo utilizar de movimentação em outros espaços para que a ansiedade e emocional não interfira nos participantes, para que observem o que de mais importante estão ali para resolver. Podem até marcar outra sessão em outra data, ou mais, o que muitas vezes para um boa negociação se faz imprescindível.
– Parafraseamento: que consta na reformulação das palavras ditas pelas partes.
– Brainstorming: é o incentivo do mediador/conciliador para que as partes criem soluções reais que possam ser realizadas por elas.
– Caucus: é uma reunião privada com cada parte, para que elas possam se abrir e dizer o que aflige e o que elas podem realizar. Vale lembrar que só será permitido o mediador/conciliador dizer algo a outra parte se quem fez o caucus aceitar.
A importância de uma boa negociação faz o negócio ter um excelente fechamento e acordo para as partes, por isso é imprescindível as partes que forem mediar/conciliar, utilizar essa oportunidade ao máximo e verificar se o serviço esta realmente sendo feito como deveria.
Vale lembrar e ressaltar que não estando satisfeitos com aquela sessão, tanto no público como no privado elas podem marcar outra sessão e não gostando do modo que esta sendo realizado no público elas podem e devem procurar um mediador privado. O público tem direito de ter um serviço de qualidade, sendo ele quem separa e avalia as melhores prestações de serviço.
Ainda sim, a negociação e a Mediação/Conciliação deve começar dentro de cada indivíduo, para a eficácia de todos os participantes.
Por Fernanda Meirelles, especialista em Direito de Família e Sucessão
Fonte: JusBrasil – 10/08/2018

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